Políticas culturais
Julho 5, 2008
«Em relação às políticas culturais que até agora conheci, parece-me que falar de política cultural em Portugal é uma piada de mau gosto (…). Nunca me revi, até hoje, em qualquer tipo de política cultural assumida por qualquer tipo de poder».
«É preciso desconstruir Estados, estruturas, instituições, de forma a criar possibilidades para a organização de redes, de associações, de formas de comunicação».
«É mais que legítimo que os cidadãos de todo o mundo possam circular e na Europa é uma mais-valia que isso aconteça».
João Fernandes, director do museu de Serralves, no âmbito do programa 1001 Culturas - Esquerda e Cultura: o futuro já não é o que era, organizado pelo Bloco de Esquerda na Fábrica de Braço de Prata, em Lisboa. Excertos de um artigo da «LUSA - Agência de Notícias de Portugal» (Falar de políticas culturais em Portugal é piada de mau gosto).
A cultura enquanto produto
Julho 5, 2008
«O capitalismo está a desenvolver-se cada vez mais numa direcção a que alguns chamam capitalismo cultural e não é só pelo facto de se assistir ao fenómeno de marketização da cultura.»
«Devemos também concentrar-nos no outro lado do mesmo fenómeno: não só a aplicação da lógica consumista à cultura mas a culturalização dos próprios bens de consumo, não só no sentido de produtos culturais, como o cinema e a cultura popular mas num sentido mais lato, de coisas que associamos à cultura, como o sentido da vida, a filosofia… tudo isto está a tornar-se uma mercadoria para vender.»
«Como se, de alguma forma o capitalismo esteja cá para ficar e então já ninguém se importe com isso mas sim com a tolerância de outras culturas, o direito ao aborto, os direitos dos homossexuais, etc. - tudo questões que são, num sentido alargado, questões de Cultura.»
Slavoj Zizek, filósofo e psicanalista esloveno, no âmbito do programa 1001 Culturas - Esquerda e Cultura: o futuro já não é o que era, organizado pelo Bloco de Esquerda na Fábrica de Braço de Prata, em Lisboa. Excertos de uma artigo da «LUSA - Agência de Notícias de Portugal» (Cultura é mercadoria que está à venda - Slavoj Zizek).
Livros: novidades com interesse
Julho 2, 2008

O Dragão de Sua Majestade de Naomi Novik é o primeiro livro da série Temeraire. A obra valeu à sua autora os prémios Compton Crook e Locus Award, por melhor primeiro romance. Esta edição é da Editorial Presença.
Da sinopse: «Imagine-se o leitor em pleno decurso das Guerras Napoleónicas. Com uma ligeira alteração… os combates travam-se, não somente em terra ou no mar, mas também… nos céus. Num tempo alternativo, o planeta é compartilhado por duas espécies igualmente inteligentes: os humanos e os dragões. Estes associam-se aos homens quando à nascença recebem o arnês das mãos de um deles, criando um vínculo quase simbiótico que perdura ao longo das suas vidas. Seres magníficos e poderosos, além de capazes de voar, os dragões transportam toda uma tripulação de aviadores, acrescentando um devastador contributo às batalhas. Foi assim que o capitão Will Laurence viu a sua vida mudar de um dia para o outro quando abalroou uma fragata francesa e capturou um ovo de uma espécie muito rara de dragões, oferta do Imperador da China ao próprio Napoleão.»
Escrita de micro-ficção
Julho 2, 2008
Bruce Holland Rogers (autor de Pequenos mistérios ) e José Mário Silva, (jornalista e autor de Efeito borboleta) irão à livraria Pó dos Livros (Avenida Marquês de Tomar, 89 A, Lisboa) no dia 16 de Julho, pelas 18:30h, para falar sobre a escrita de micro-ficção.
Escrita, Tolkien, fantasia e ficção histórica
Julho 2, 2008
«Num sentido, é um rótulo tolo, porque cada autor de fantasia é único e eu não escrevo como Tolkien, apesar de o admirar imenso. Mas noutro sentido, Tolkien teve uma profunda influência sobre mim, ainda hoje o releio regularmente e está na base de toda a fantasia moderna. Ele era inglês e um homem do seu tempo, eu sou um escritor do meu tempo, da geração do baby boom e da Guerra do Vietname. E quando escrevo, inevitavelmente, algo das atitudes dessa geração e da minha nacionalidade americana transparecem na minha escrita.»
«Ele [Tolkien] redefiniu o género, que vem do tempo de Homero e mergulha fundo na cultura ocidental. Todos operamos ainda na tradição estabelecida por Tolkien - até os que o negam.»
«Eu sempre fui um grande fã de fantasia, mas também de ficção histórica, e por isso quis aplicá-la a um ambiente de fantasia. Isto porque quando estamos a ler ficção histórica, sabemos sempre o que vai acontecer. Por exemplo, se é um livro passado na Guerra das Rosas, já sei que lado vai ganhar. E como leitor, gosto do inesperado, gosto de ser surpreendido. E ao injectar alguns dos ingredientes da ficção histórica na fantasia, acho que consigo ficar com o melhor dos dois mundos, com a textura dos melhores romances históricos, e o inesperado da fantasia.»
«As pessoas morrem na guerra, e habitualmente, nos livros sobre guerras, morrem milhões de anónimos, mas nunca o herói, a namorada ou o melhor amigo dele. Acho que isso é batota. Prefiro começar a matar personagens muito cedo, para que as pessoas percebam logo que ninguém ali está seguro. Além disso, gosto que os meus leitores se sintam a viver os acontecimentos que descrevo, que entrem pelas páginas dos livros adentro. Para que isso suceda, é preciso que a história seja emocionalmente envolvente a todos os níveis e que as pessoas vejam, sintam e experimentem tudo em pormenor, seja uma festa num castelo, seja uma batalha.»
George R.R. Martin, escritor, em entrevista ao Diário de Notícias de 2 de Julho de 2008.
Ainda o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa
Julho 2, 2008
De acordo com a crónica A Omoleta Estragada de Vasco Graça Moura, hoje publicada no Diário de Notícias, a propósito do Acordo Ortográfico o Governo terá induzido em erro o Parlamento. Passo a citar.
«Lia-se no sétimo considerando da Proposta de Resolução n.º 71/X/3, enviada à AR para aprovação do segundo Protocolo Modificativo, que “o actual Governo consultou, através do Instituto Camões, as diversas entidades relevantes nesta matéria, como a Academia das Ciências de Lisboa, a Associação Internacional de Lusitanistas, a Associação Portuguesa de Escritores [sic] e Livreiros, a Associação Portuguesa de Linguística, a Fundação Calouste Gulbenkian e a União de Editores Portugueses”.
O primeiro-ministro e os ministros dos Negócios Estrangeiros, da Presidência e dos Assuntos Parlamentares invocavam nesses termos as consultas feitas a entidades com peso científico, além das feitas àquelas que, por razões empresariais, teriam interesse em manifestar-se.
Qualquer pessoa desprevenida acreditaria que as respostas recebidas eram globalmente positivas e favoráveis.
Mas não foi assim.
Positiva foi apenas a da Academia das Ciências, em causa própria e com um parecer da pena de Malaca Casteleiro…
A Associação Internacional de Lusitanistas, consultada em 4.10.05, não respondeu.
A Fundação Gulbenkian disse, em 24.11.05, que aplicaria o AO às obras que editasse, após a sua entrada em vigor. Isto é, que cumpriria a lei.
A Associação Portuguesa de Linguística, num extenso e fundamentado parecer de 12.12.05, pronunciou-se pela imediata suspensão do processo em curso. No mesmo sentido, em 1.11.05, o Departamento de Linguística Geral e Românica da Faculdade de Letras de Lisboa. E o Instituto de Linguística Teórica e Computacional, tendo levantado vários problemas, afirmou: “De qualquer modo, o Acordo Ortográfico terá sempre consequências bem mais graves que a existência actual de duas normas, sobretudo na língua escrita no âmbito da Internet” (28.10.05).
É tudo. Outras entidades universitárias consultadas não chegaram a dar resposta, nem houve qualquer insistência para que a dessem.
As editoras e associações de editores manifestaram outro tipo de preocupações e fizeram perguntas que não foram respondidas.»
Cinema no Porto
Julho 2, 2008
Tem havido um progressivo desaparecimento das salas de cinema sitas centro do Porto, à semelhança do que acontece noutros locais do país. Águia D’Ouro, Batalha e Nun’Álvares são algumas das salas que encerraram, devido à fixação de cinemas nos centros comerciais.
Jorge Campos, documentarista e professor do Instituto Politécnico do Porto, considera que os Cinemas Cidade do Porto são actualmente os únicos na cidade a assegurar regularmente a exibição de “outro cinema” (cinema de autor, europeu, alternativo, documentário, entre outros géneros).
Ver reportagem vídeo: Porto tem cada vez menos espaço para o “outro cinema”.
A fotografia é da autoria de Inês Dias Gomes.
George R. R. Martin no Porto
Junho 27, 2008
George R. R. Martin estará presente no auditório da Fnac do Norte Shopping (Porto) no dia 3 de Julho, pelas 18.30h.
Terá lugar um pré-lançamento exclusivo de A Tormenta de Espadas (5º volume de As Crónicas de Gelo e Fogo), uma palestra de autor sobre As Crónicas de Gelo e Fogo, uma sessão de perguntas e respostas sobre a série e o autor e uma sessão de autógrafos.
Para mais informações acerca da visita deste escritor a Portugal, consultar George R. R. Martin em Portugal e George R. R. Martin em Portugal, mais datas.
Novo grupo editorial e livreiro
Junho 27, 2008
Foi apresentado em Lisboa o novo grupo editorial e livreiro da Fundação Agostinho Fernandes, que inclui a livraria Buchholz, a Sá da Costa Editora e livrarias e a Portugália Editora.
A Portugália Editora foi fundada em 1942 por Agostinho Fernandes. Actualmente o seu director editorial é Dinis Nazareth Fernandes. Entre os autores publicados pela editora encontram-se José Gomes Ferreira, Irene Lisboa, Virgílio Ferreira, Manuel da Fonseca, Herberto Hélder e Sophia de Mello Breyner Andresen.
«Este é mesmo um modelo contra a corrente: não é um grupo editorial grande - são três marcas editoriais, incluindo a Portugália Brasil, e duas livrarias - mas o capital simbólico acumulado, a história, é uma garantia de qualidade e de sucesso», disse à agência Lusa, José Ribeiro, director editorial da Portugália, na sessão de relançamento da editora.
O Guardador de Pássaros, do luso-moçambicano Ascêncio de Freitas, Destruição de um Jardim Romântico, de José Viale Moutinho e Terminação do Anjo de Daniel Abrunheiro, serão os primeiros lançamentos da renovada Portugália.
Sérgio Nazareth Fernandes informou que a Portugália Brasil é um projecto que será revitalizado com a colaboração da professora universitária brasileira Flávia Rosa, «antes do fim do Verão, embora ainda não haja uma data definida».
A abertura da livraria Sá da Costa, situada na rua Garrett, está prevista para 1 de Outubro. O director editorial do projecto revelou que a Livraria Buchholz terá uma nova loja no Chiado, no largo Rafael Bordalo Pinheiro.
Mais informação em LUSA: Portugália Editora relançada terça-feira em novo grupo editorial e Sol: Portugália Editora relança-se com 20 títulos por mês em novo grupo editorial.






