Memória e aprendizagem
Março 8, 2008

Foi publicado no blogue De Rerum Natura, um texto sobre a importância da memória no processo de aprendizagem. Pode ser lido em A memória e a aprendizagem. Deixo alguns excertos.
«À pergunta “em que situação se encontram actualmente as pesquisas no campo da neurofisiologia?”, respondia de uma forma sugestiva: “A neurofisiologia encontra-se num sótão escuro procurando um gato escuro, sem ter a certeza que ele ali está. Seu único indício são leves ruídos que parecem miados” (ibid., pp. 87,88).
Apesar das surpreendentes descobertas sobre o cérebro que a tomografia por emissão de positrões (TAC) tem proporcionado, receio que as indagações do filósofo, matemático e físico Blaise Pascal tardem em encontrar uma resposta científica: “Que quimera é o homem? Que novidade, que monstro, que caos, que prodígio? Juiz de todas as coisas, verme imbecil, cloaca de incerteza e de erro, glória enojo do Universo. Quem deslindará esta embrulhada?”
Todas as formas de inteligência ou aptidões atrás elencadas fazem parte do nosso código genético, através das localizações corticais com funções específicas, das respectivas associações, das substâncias químicas (os neurotransmissores), enfim de todo o corpo, numa condição sintetizada pelo psiquiatra alemão Ernest Krestchemer: “O homem pensa com o corpo todo”. Devido à sua plasticidade, o cérebro, se exercitado através de uma “ginástica” apropriada, pode melhorar, até um determinado limiar, o seu desempenho. Em condições patológicas, como nos acidentes vasculares cerebrais (AVC), a acção vicariante das zonas de associação corticais serve para a reabilitação funcional destes doentes.
Para melhor se compreender a complexidade anatómica e funcional do cérebro, nada melhor do que ouvir o neurocientista Richard Thompson, da Universidade de Carolina do Sul: “O cérebro humano consta aproximadamente de 12 biliões de neurónios e o número de interconexões entre eles é superior ao das partículas atómicas que constituem o universo inteiro”. São números impressionantes que escapam ao entendimento comum. Para a fisiologia, “o fundamento da memória reside nas mudanças eléctricas que se produzem no cérebro quando se recorda alguma coisa “.»


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