Violência nas escolas

Abril 19, 2008

no_education_by_dumbpuppet

«”Há um contexto favorável à ocorrência de rebeliões”, diz Manuel Matos, investigador e docente na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação, da Universidade do Porto.

“Boa parte dos alunos problemáticos não esperam nada da escola, estão lá apenas porque não têm outras alternativas e são forçados a isso”, reflecte Manuel Matos. “A família obriga e o Estado não apresenta alternativa em termos de programas de trabalho.”

Para o investigador, os fenómenos de indisciplina ou violência são gerados colectivamente. A turma constitui um colectivo. E portanto, “é difícil identificar quem é o responsável”. Embora o acto de indisciplina apareça encabeçado, “o protagonista não é necessariamente o principal responsável pela cena, porque a responsabilidade gera-se num contexto colectivo”, alerta Manuel Matos.

Mas se a responsabilidade é colectiva, a sanção é normalmente individual. “Quando a opinião pública, os jornais e as autoridades responsáveis exigem a punição, evidentemente que o fazem em nome da exemplaridade do castigo, portanto, isso aponta para o ‘bode expiatório’”, afirma o investigador. Resumindo: alguém tem de ser responsável porque não se pode punir a turma inteira.

“Há um conflito entre a pedagogia e a lei.” A escola deveria reger-se por princípios pedagógicos e não jurídicos, diz Manuel Matos, no entanto “as autoridades tendem a socorrer-se de mecanismos jurídicos porque supõem que na origem destes incidentes estão fenómenos sociais e não pedagógicos”.

“Há um clima incontrolável” que, para Manuel Matos, encontra acolhimento nos contextos sociais e está na base da indisciplina. “Os alunos muitas vezes dizem que a escola é boa, as aulas é que são uma seca”, esta distinção prova que “o tempo de ócio é cada vez mais significativo na vida da escola e a apetência para estudar menor”. Acresce que, “com o desemprego e a ameaça de ir fazer coisas que ninguém quer, os alunos perdem a razão do trabalho escolar, ou seja, do estudo”.

“Não se pode esquecer que os jovens estão numa fase de expansão da sua natureza, a adolescência, uma altura em que a disciplina é o pior”, recorda o investigador. Quanto mais se reprime, maior a apetência para a explosão.

No entanto, alerta o investigador, “é preciso perceber que já não estamos no tempo em que só se admitia na escola quem vinha com a educação familiar resolvida”. Manuel Matos entende o recurso à violência “como uma situação que vem na sequência de um destino trágico que é o facto de estes alunos não terem um projecto”. Neste sentido, “a escola deveria, prioritariamente, tomar conta destes alunos, num sentido positivo, e não responsabilizar as famílias que muitas vezes também são marginais”.»

Excertos de um texto publicado no portal Educare, da autoria de Andreia Lobo, denominado Violência nas escolas: causas e consequências.

Leave a Reply