Médico espanhol em hospital português
Abril 20, 2008
Segundo artigo do Diário de Notícias de 6 de Abril de 2008, da autoria de Carla Aguiar (Oftalmologistas contra contratos com espanhóis), o hospital do Barreiro contratou um oftalmologista espanhol, devido à longa lista de espera de cirurgias.
Segundo a mesma fonte, o caso suscitou desagrado no seio da classe médica portuguesa, como não podia deixar de ser, dado que, o médico espanhol Jose Lillo Bravo realizou com orgulho 234 operações às cataratas em apenas seis dias, com o uso de técnicas menos invasivas e a cobrar apenas 900 euros por operação. Em contraste com os dois mil euros cobrados pelos congéneres portugueses e as 359 operações que os sete especialistas do serviço de oftalmologia daquele hospital realizaram no ano de 2007.
“Não posso concordar com essa iniciativa, porque não vejo que haja necessidade de ir buscar oftalmologias ao estrangeiro, porque não só os temos em quantidade como em qualidade”, considerou Castanheira Dinis, coodenador do Programa Nacional para a Saúde Visual.
Castanheira Dinis referiu ainda, “com as mesmas condições que lhe foram fornecidas, tenho a certeza que haveria médicos portugueses capazes de fazer o mesmo trabalho ou melhor”.
Não sou especialista no assunto, todavia parece-me que, se o número de cirurgias levado a cabo por Jose Lillo Bravo pode levar a uma perda de qualidade no acompanhamento pós-operatório e a um desgaste rápido do médico, as operações realizadas pelos especialistas portugueses do hospital do Barreiro são poucas e não servem para satisfazer as necessidades dos tutentes, contribuindo assim para o crescimento das listas.
Considero positiva a vinda de médicos estrangeiros, devidamente habilitados, para Portugal, uma vez que podem revelar-se não só bons profissionais como também produtivos e ao mesmo tempo poderao contribuir para o aumento da produtividade dos médicos portugueses, que se vê por diversas vezes afectada pela existência de zonas de conforto.



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