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No passado dia 23 de Abril, Dia Mundial do Livro, foi publicado no site Educare um artigo da autoria Sara R. Oliveira, com uma recolha de opiniões de alfarrabistas acerca de oferta literária e hábitos de leitura. O texto pode ser lido em “Lê-se mais, mas pior”. Deixo alguns excertos.

«”Há mudanças nos hábitos de leitura. As pessoas sempre gostaram de ler, o que acontece é que os editores publicam muita coisa e isso dificulta a escolha”, afirma Miguel Carneiro, de 37 anos, da Livraria Moreira da Costa, que surgiu em 1902 e que ainda hoje comercializa livros antigos e usados na Rua de Avis, no Porto. Mais oferta, mais interesse, mais literatura leve. “O público sabe bem o que lê e gosta do que lê”. E o que lêem? “Literatura mais leve, literatura mais produzida. Há público para as duas coisas. Mas as pessoas que gostam mesmo de ler escolhem bons autores e boas publicações”, garante.

Mais de um século de actividade e a Moreira da Costa adaptou-se às novas tecnologias e hoje vende mais pela Internet. A procura do livro antigo cresceu. Hoje valorizam-se mais as primeiras edições, livros que são relíquias. “Há muita procura e pedidos de autores portugueses”, revela Miguel Carneiro. A literatura infantil e juvenil também causa interesse, sobretudo as obras “que as pessoas leram e que agora têm 50 ou 60 anos”. Os livros dos autores portugueses, como Camilo Castelo Branco, Camilo Pessanha, Ramalho Ortigão, Fernando Pessoa, são bastante procurados. Os clientes do livro antigo têm geralmente mais de 40 anos e há os que têm em média 30 anos e que procuram livros usados, obras que precisam por um preço mais em conta.

“É um circuito diferente”, indica Pedro Castro e Silva, de 35 anos, proprietário da Livraria Castro e Silva, fundada em 1957, instalada no centro histórico de Lisboa, no Largo do Chiado. Há 20 anos dedicado ao negócio, que nasceu pelas mãos da bisavó, garante que é complicado compartimentar os seus clientes. “É um campo muito ecléctico”. Os livros antigos são procurados por gente que não se encaixa num perfil formatado. A maioria dos clientes da Livraria Castro e Silva tem mais de 40 anos. 

E no mundo dos livros antigos o que se procura mais? De tudo um pouco. “Procura-se cada vez mais literatura infantil, como os contos de Andersen e de autores portugueses de há 50 anos, como Aquilino Ribeiro”. Livros habitualmente procurados por aqueles que o leram na meninice e que querem guardar uma obra que os tenha marcado. “São pessoas que leram esses livros e que agora querem passá-los aos netos”, refere.

“Mudam-se os tempos, mudam-se os hábitos. “Lê-se mais, mas pior”, comenta Pedro Castro e Silva. Hoje, sublinha, há muita “literatura descartável” e bastante “material efémero”. Basta olhar para o que se encontra nos escaparates. “Antigamente as pessoas liam porque se queriam informar, hoje quem lê não é para se cultivar”, repara.

João Pires é da velha guarda. Tem 89 anos e desde 1935 que se dedica a comercializar livros, gravuras, molduras antigas. A Livraria Mundo do Livro abriu as portas no início da década de 40 em Lisboa. “Não há mais procura. Há mais edições do que procura”, confessa o livreiro-antiquário. “Cada pessoa tem as suas preferências”. E não é um público jovem que procura as raridades. “O jovem não procura, nem tem dinheiro”. E hoje, como se lê? “Editam-se muito mais coisas, mas não sei se se lê os livros de uma ponta à outra”, comenta.

Rui Nascimento, 62 anos, de há 20 na arte que já foi do avô e depois do pai, diz que a procura tem decaído. “Tem diminuído, agora há feiras de livros usados”, refere. Na Livraria Barateira, em Lisboa, “há um bocadinho de tudo” e gente de todas as idades que procura o livro antigo. “Talvez se leia menos em percentagem porque agora há mais gente e há sempre quem lê”. “Quem gosta de livros é sempre um apaixonado.” E, bem vistas as coisas, parece-lhe que antigamente havia “mais gente apaixonada”.»

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